A vida é um difícil equilíbrio entre preservar e deixar ir...

Ganhar, perder, rir, chorar, abraçar com emoção, fechar os olhos em solidão… A vida é um ciclo que não tem fim, que flui, corre e que escapa das mãos mesmo que se queira retê-la. Como a juventude, como esse amor eterno que uma vez nos venderam e que sempre teve na verdade, data de validade.

A vida é um difícil equilíbrio entre preservar e deixar partir, uma lei que ninguém ensina e para a qual não fomos preparados e que, contudo, vamos aprendendo calados com o tempo.

Desde pequenos somos protagonistas desses acontecimentos que nos marcarão para sempre. Aprendemos, por exemplo, que existem diferentes tipos de perdas.

Sem dúvida você se lembrará daqueles amigos que foram morar em outras cidades e que você nunca mais viu e também da morte de alguns dos seus familiares ou inclusive animais de estimação, e você estabeleceu uma separação dolorosa que jamais conseguiu superar.

A vida tece o seu próprio equilíbrio de ganhos e perdas, costurando distâncias que nunca poderão ser alcançadas, perdas que teremos de assumir para um aprendizado pessoal, o mais solitário de todos.
Falaremos a seguir desta lei implícita da qual todos deveríamos ser conscientes.

Para “preservar” é preciso saber reconhecer o que se tem
A dor da perda é, na verdade, o valor e todo o amor atual que você direciona a aquilo que o envolve. Ninguém chora, por exemplo, por algo que não ama; ninguém sente o vazio de algo que anteriormente não tinha no seu interior. Assim, neste equilíbrio vital que a vida estabelece, é necessário primeiro saber reconhecer tudo aquilo é valioso para si.

Aprenda a valorizar tudo aquilo que o rodeia, olhe nos olhos daqueles que gostam de você. Sinta a simplicidade do dia a dia e viva cada momento como se fosse o último.
Nenhum de nós sabe quão longa ou quão fugaz será a sua “parcela” de vida, ou inclusive a dos outros. Que tal aprender a desfrutar mais do presente e do “aqui e agora”?

Às vezes é difícil; há momentos em que nos vemos cheios de preocupações e obrigações, focamos o olhar no passado e nossas expectativas no futuro, deixando o presente de lado, como se ele não existisse. Como se não estivesse nos abraçando neste exato momento...

Às vezes somos criaturas doentes de nostalgia, e mais, segundo dizem muitos psiquiatras, o cérebro humano passa grande parte do seu tempo evocando lembranças. O que é pior, há quem caia nesses pensamentos obsessivos que o amarram cegamente a esse fracasso de ontem, nesse erro do passado.


O que você perdeu ontem já não existe mais. Deixe-o ir, assuma e aceite-o. A dor de ontem é uma porta pela qual é preciso passar para se reencontrar com o que você é agora, alguém mais humilde e sábio que merece ser feliz de novo.

Deixar ir” para chegar ao equilíbrio
“Deixar ir” não é apenas assumir uma perda ou um fracasso. É também amadurecer, trocar algumas ideias por outras, crescer internamente e inclusive confrontar os seus próprios valores.
As vezes associamos a ideia de “deixar ir” a ter que aceitar um fracasso emocional ou uma perda pessoal, quando na verdade praticamos este conceito ao longo de toda a nossa vida. Amadurecer é conceber novas ideias e inclusive confrontar as suas próprias palavras de outrora…

A criança que você foi teve que desafiar o adolescente que pedia mais direitos, mais liberdades. O adulto entendeu depois que nem tudo é liberdade, que também existem responsabilidades.

A pessoa que você foi há anos com certeza não é igual a quem você vê hoje no espelho. O aprendizado vital, emocional e o simples cotidiano fez você se desprender de coisas e assumir novos conceitos.

Como se vê, cada um de nós “deixa ir” pequenas coisas a cada dia. Contudo, as maiores são sempre mais dolorosas. Por exemplo, como deixar partir da sua mente e do seu coração uma pessoa que antes preenchia todo o seu universo?

Existem vazios que doem e adoecem, buracos onde é possível se perder se você não for capaz de se desprender do que lhe causa mais dor que benefício.

Não se aferre a algo que lhe causa dor e que não funciona. Não puxe daquilo que não quer ceder… Deixe partir; a vida continuará fluindo e lhe trará mais opções. Mais oportunidades...

Mas... É sempre difícil partir... 
                       ^
                       ^
*Esse é o link de música que fala muito sobre esse momento...

...sinto que agora precisa acabar...  não quero mais te controlar...
sem você posso ser quem eu sou... não será você mesmo se tiver que mudar...
não aceito você dizer que não pensei em você, eu não sou desse jeito, sempre tentei te entender...
passei por cima das minhas vontades...
"pode ser melhor tendo você por perto"... já pensei nisso! eu não consigo mais...

Encontros & Inesperados

Pela manhã, encontro (reunião) com V. e R. para decidir novos rumos do meu trabalho com os Garçons Cantores. Logo depois, almoço com V., que não tem ideia de quão especial é pra mim, sempre me ensina muita coisa... Após almoço, casa de N., uma grande amiga... Precisávamos resolver pendências e principalmente limpar nossos ressentimentos que ficaram de algo mal resolvido. Olho no olho... Compartilhamos algumas angústias de nosso dia-dia, desabafamos algumas mágoas, dividimos alguns momentos, um ABRAÇO. Não foi fácil... e acho que qualquer relação profunda, não é fácil... Enfim, (o resto desse episódio ainda terá em outra postagem...) depois da conversa, combinei com minha mãe de assistir "Olmo e a Gaivota" no Cine Caixa Belas Artes. Fui para o local combinado, mas não sabia se minha mãe chegaria a tempo para assistir o filme.

Comecei a pensar, "será que estarei sozinha no cinema? Nunca isso me ocorreu..." , logo esse pensamento saiu de minha mente... Encontro C., e o que mais me impressionou que não seria uma pessoa que imaginaria encontrar naquele local. Ele esperava uma amiga, enquanto isso conversávamos... Assistiria o mesmo filme, e eu pensava "Nossa, nunca estamos sozinhos"... Sua amiga chegou, uma pessoa de energia tão boa... Tenho dado muita atenção aos encontros... Amei conhecê-la também... Eles resolvem dar uma volta, decido não ir, e fiquei pensando "porquê não?!"... Eles saem, encontro R. Fazia anos que eu não a via... Mas havia pensado nela esses últimos dias... Conheci tão pequena, agora uma mulher, junto com seu namorado, tão sorridente... Linda. Ai entendi porque não havia ido com o C...rs Também trocamos um bom papo... Deu a hora para entrar na sala. Minha mamis ainda não havia chego... "será que ela chegaria?!"


Sentei ao lado de um casal, fiquei meio desconfortável, "será que estaria atrapalhando?", mas logo percebi que os dois não estavam muito bem... O cara com cara de nervoso. Ela com cara de espanto... Durante o filme, sorri pra ela... Parecia que ela havia se acalmado, retribuiu meu sorriso... Mais a frente do filme, ele havia dormido, pude trocar uma frase com ela, "Nada é fácil, as vezes temos que tomar algumas decisões..." Ela apenas acenou... Entendeu que não era apenas um comentário do filme que eu ali fizera...
Levanto da cadeira e encontro mamis, linda como sempre, que perdeu alguns minutinhos do filme, mas conseguiu assistir! Fiquei muito feliz, ela correu muito pra chegar... 

Ao sair, claro, fomos passear na paulista, tirar fotos, ver livros, comprar roupas para papai, tomar sorvete. Tomamos um sorvete bem chique, bem caro, que óbvio que não sei o nome, mas o que estávamos curtindo mesmo era aquele momento!


Ao terminar o sorvete, vejo S. passando. Grito seu nome! Outra pessoa que jamais imaginaria estar por ali... Da faculdade, pessoa inesquecível, com energia contagiante e que sempre lembro com muito carinho.


Conversamos, ainda ganhamos uma carona dela... O carro de S. estava no estacionamento de uma estação de metrô... No caminho, bastante atentas,  falávamos sobre nossa apreensão pelo caminho mal iluminado... Quando descíamos as escadas, um rapaz subia com uma pasta transversal, com a mão dentro dela... Eu já imaginava o que seria... Fiquei um pouco mais a frente das duas, do lado direito... Ele aparece com um revólver em mãos aponta para S. e diz: "Não gritem, e não corram. Apenas passem seus telefones." 
Muitas coisas me passou na minha cabeça naquele momento, mas de certa forma estava tranquila. Fiquei bastante preocupada com minha mãe e S., claro. Mas também com aquele rapaz, tão novo... Porquê?! Com calma , me dirigi a ele, fui virando para trás, (nessa hora minha mãe começa a correr, e S. logo atrás).
Eu já estava me pensando em pegar meu celular, e ele diz: "vai logo!". (Nessa hora já estávamos só eu e ele). E eu então, olho bem no fundo dos olhos do rapaz, que apontava a arma ainda, e disse: "Calma moço...", com o sentimento muito real de que ele não precisasse mais fazer isso. No mesmo instante, ele abre um sorriso metálico (sim, lembro bem do rosto e do aparelho) e diz: "que isso moça, tava só brincando, você acha que quero celular?!" e guarda o revólver. Ele sobe as escadas, eu desço ao encontro de minha mamis e de S. no estacionamento. Nervosas, claro, avisamos ao "segurança" do estacionamento sobre o acontecido.
Enfim, fomos para casa (na porta de casa, alias), pensando o quanto nada é por acaso... Tinhamos que estar juntas ali, naquele momento...
Algumas coisas desse dia ainda estou em processo de reflexão... São tantas as relações que adornam nossa vida... Os encontros, esperados ou não... Tenho pensando sobre isso... Quero viver mais dessas relações... Pra mim, a maior arte... A arte da convivência!

*23.12.2015


Amiza(des)cepcionada...

"A palavra amigo deriva do latim amicus, com o significado de preferido, amado. Sua origem é o verbo amare, em português - amar. Assim, a amizade é uma forma de amor. Um amor sincero, leal e transparente...


Aquilo que você quer ouvir, seus inimigos podem lhe dizer a qualquer hora, especialmente se isso for encaminhá-lo para armadilhas.

Um amigo de verdade multiplica os momentos felizes e ameniza os momentos de tristeza. Ele dá força e inspiração e divide as experiências com tamanha alegria que te faz ter a certeza de jamais estar sozinho."

Essas foram algumas reflexões de Carlos Hilsdorf, sobre amizades... Nunca gostei muitas dessas definições de amigxs, pois acho que existem amigxs para todos os tipos de situação, como nessas minhas postagens: Como entender os amigxs?,  Amigxs, com seus defeitos e qualidades!Melhores amigxs de diferentes maneiras...

Mas, há um tempo, fiquei pensando sobre essa transparência da amizade, e esse não se sentir sozinho, que o autor traz... Tive uma decepção com uma grande amiga que jamais imaginaria. É muito louco porque meu coração até dói em pensar...

Talvez em um dos momentos mais difíceis da minha vida, não apenas na questão de afazeres, mas nas minhas relações e na vida no geral, quando eu mais precisava, e não por falta de avisar, ela me abandonou. Me senti desamparada. Sozinha... Quase como num precipício, pensei em desistir, porque teria de ter muito mais força e energia, que eu já não estava conseguindo...

Era como se ela tivesse me jogado na fogueira e sumisse... (pior que tive até sonhos disso... medo)
Essa sensação de não saber o que fazer, de contar e não obter respostas... Cada hora era uma coisa a mais que me deixava na mão... Senti todos os sentimentos ruins por uma amiga que jamais imaginei... Até porque nunca tinha me decepcionado dessa maneira com ninguém...
Sentia a necessidade, e não falei apenas uma vez a ela, que eu precisava de apoio, e não era só nas questões combinadas, era compartilhar as alegrias, vibrar junto a cada conquista, dar inspiração, dividir as experiências, como no texto diz... e isso não aconteceu.. E mais do que isso, não houve nenhum pouco de transparência... Ela simplesmente se ausentou de tudo...

Eu entendo que a vida muitas vezes seguem alguns rumos não planejados, apesar dos nossos inúmeros planejamentos, mas não pude ouvi-la falar uma vez se quer, que infelizmente ela havia entrado em outros compromissos, por isso acabou se ausentando um pouco, mas que sua energia estava comigo, ou qualquer coisa... Uma palavra se quer... Preferiu mesmo ficar offline...
Sim, eu sei muito bem de minhas energias exacerbadas, de meus desesperos, inquietações que as vezes as pessoas não me entendem, ou se assustam... Mas não custava nada um, "desculpa, eu não vou conseguir fazer isso..." Mas não...Se comprometia, não fazia, eu acabava fazendo, muito magoada... Mas tentava de novo... Nada... Era como se uma má vontade tivesse se instalado, e meu coração doía, doía...
Poxa, estava tão animada, parecia gostar de meu trabalho... Parece que de repente nem isso gosta mais...

Era tão mais fácil dizer que se ocupou demais, ou que estava mesmo sem vontade... Que eu tava chata demais, então não estou aguentando a pressão também... sei lá... Mas não. Ficou ausente. Isso me feriu de uma maneira muito pior do que palavras tortas... Não quero uma amizade superficial ou apenas com interesses... E não digo que essa amizade foi isso... mas que é o que estou sentido agora? É...

Tenho tido o costume de ser bem sincera com meus sentimentos... Não quero coisas mais ou menos... 
Sei entender também que obviamente a decepção vem pela expectativa que criei... Quem criou fui eu... Mas... de fato, imaginei que essa amiga iria vibrar comigo a cada conquista... Ia procurar outras formas de conseguir... Ia me dar a mão... Ia fazer um monte de coisas, mandar monte de ideias que teve, porque estava super animada (eu ia achar defeitos em metade, porque eu sou assim mesmo... acho defeitos mil em tudo q faço tb), mas eu iria ficar feliz, porque ela estava fazendo o máximo que podia... Mas... não foi o que eu vi... Eu só vi um "vou fazer a minhas coisas..." Só vi OMISSÃO.

Tal palavra vem do Latim omissus, particípio passado de omittere, “deixar escapar, perder, renunciar, não falar de”. E esta palavra se compõe de ob-, intensificativo, mais mittere, “enviar, deixar ir”.
Talvez, pelo menos pra mim, se omitir seja uma das coisas que mais me magoam... descobri agora... 
Deixar na espera... Na esperança... Pior do que um "NÃO!"... "Estou indo embora!"...

Não acho que o fato diminuiu a amizade, o "amicus", o amor... Mas ele se modifica... Assim como todo o amor de casal, assim como amor de pai e mãe...  Continuo pensando que é uma amizade verdadeira, mas não a que eu imaginei! E desconstruir aquilo que criamos, dói muito! Quem sabe eu possa logo me omittere essa decepção?! Assim espero... Sei que tudo não aconteceu porque ela é ruim, porque ela quis me magoar, ou porque ela me odeia, ou porque ela unca fez nada por mim... maaaas, eu também não queria me sentir assim, e no entanto estou sentido, e senti demaaaais! Com certeza algo que ficara gravado pra minha vida inteira, um dos momentos mais difíceis de minha vida... 

Liberdade...

Senti como se o peso do mundo estivesse sobre meus ombros
Pressão para quebrar ou recuar em cada curva
Enfrentando o medo da verdade, eu descobri
Sem dizer como, tudo isso vai dar certo
Mas eu cheguei muito longe pra voltar agora

Estou à procura de liberdade, a procura de liberdade
E para encontrá-la, custou-me tudo que eu tinha
Bem, eu estou procurando a liberdade, buscando a liberdade
E encontrá-la, pode tirar tudo que eu tenho.

Eu sei muito bem que isso não vêm fácil
As correntes do mundo parecem estar se apertando
Eu tento andar, mas se estou tropeçando de um jeito familiar
Tentando me levantar, mas a dúvida é tão forte
Tem que haver um vencedor em meus ossos


Oh, não desistir sempre foi difícil, tão difícil

Mas se eu fizer as coisas da maneira mais fácil, eu não irei longe

Mhm, A vida não tem sido muito boa para mim ultimamente (bem)
Mas eu suponho que isso seja um impulso pra seguir em frente (oh, sim)
No tempo certo, o sol vai brilhar gentilmente em mim (em mim, yeah)
Algo me diz, coisas boas estão vindo
E eu não vou não acreditar

Estou à procura de liberdade, a procura de liberdade
E para encontrá-la, me custou tudo que eu tinha
Bem, eu estou procurando a liberdade, buscando a liberdade...

E encontrá-la, pode tirar tudo que eu tenho!

*Tradução da música Freedom de Anthony Hamilton
**Foto do dia 18/12/2015, na praia com Tio Stefano

Objetivos 2016 e algumas conquistas!

Hoje estive relendo uma postagem que fiz no ano de 2011,
onde foi a única vez que compartilhei minhas vontades: Objetivos - 2012

Fiquei muito feliz ao notar que, apesar de, nem todos terem sido concretizados no ano que os escrevi,
a maioria deles já está concretizado nesse ano de 2015, e outros estão próximos
e que brevemente serão concretizados. Muito feliz! Vejamos aquilo que concretizei:

Objetivos 2012 - 2015

·         Realizar um ensaio fotográfico e adquirir o meu book para trabalhos profissionais
·         Conseguir o meu registro profissional de atriz (DRT)
·         Abrir um título de capitalização (e espero ser sorteada!)
·         Ingressar em um grande musical. Que seja o melhor e que me faça feliz!
·         Tirar no mínimo 9,0 no meu TCC da Termomecanica
·         Conseguir doar no mínimo 340 reais na ONG na qual eu pertenço
·         Ler no mínimo 12 livros no ano
·         Trocar cômoda 
·         Arrumar o design do meu guarda-roupa
·         Aprender a andar de bicicleta, e, adquirir uma!
·         Realizar curso de regência em Londrina
·         Tirar minha CNH (Carteira Nacional de Habilitação)
·         Fazer um clipe (que vai “bombar” no youtube...rs)
·         Registrar músicas de minha composição
·         Ser aprovada na pós-graduação na USP
·         Conseguir terminar a formação de Teatro e Dança no CLAC, intensificando meu trabalho como atriz, mas principalmente me lapidando como ser humana, na arte da convivência.





Agora, alguns dos meus objetivos, mais palpáveis, para esse ano que logo começa...

Objetivos 2016

·         Viajar para outro país (a priori pensei em França, ou Japão), e para isso...
·         Tirar o meu passaporte (URGENTE)
·         Correr na São Silvestre (15km), e em todas as outras corridas que me forem possíveis. (em questão dia e preço...rs)
·         Gravar CD com minhas composições (já está bem próximo da concretização)
·         Fazer o projeto da ESCOLA SANCAR, da minha família...
·         Dar um presente significativo para meu pai e minha mãe! (acho que o CD conta? E minha música na rádio...)
·         Tirar minha habilitação para moto, categoria A.
·         Voltar a fazer dança e aulas de lutas marciais.
·         (...)

Logo mais, continuo a escrever...

Ainda acredito?! Ainda insisto?!

Basta olhar no fundo dos meus olhos
Pra ver que já não sou como era antes
Tudo que eu preciso é de uma chance
De alguns instantes

Sinceramente ainda acredito
Em um destino forte e implacável
E tudo que nós temos pra viver
É muito mais do que sonhamos


Será que é difícil entender
Porque eu ainda insisto em nós (?!?)
Será que é difícil entender

Vem andar comigo...


*Qual meu limite? 09/12/2015

Onde está a DISPUTA?



De 12 putas, surge a disputa...


Prólogo: Inicia-se o jogo, a partida, que está mais na part. do que na ida?


Um agrado se instaura no campo, claro, não livre de tensões, porque as amarras estão lá... Nas aparências, estamos serenos, como se os desejos estivessem saciados...

Até que a vontade de matar a fome vai se evidenciando, a necessidade de comer parece maior do que a fartura...

Um pÃO... No chÃO... InaniçÃO... TensÃO...
Uma CondiçÃO de desejo insaciável se alastra não só na mente, mas no corpo... corpo a corpo... se enfrentam... É necessário defender meu pão...? Conflito...
Querela... Quer ela estar nessa pressÃO?

Falta de entendimento...
Banalidade, que passa para a Hostilidade, que parte pra Agressividade, que toca pra Irracionalidade e ... foi na TRAVE!

Travou... Rompeu-se as relações...

Uma pugna...
Uma pulga!

SEM SAÍDA

Composição: Mariana Sancar

No começo eu achava, que nunca daria certo
Achava que nunca mais amaria alguém
Mas a vida me mostrou que não era bem assim
E que um novo amor nasceu dentro de mim


Foi você que apareceu, sem querer na minha vida
Quando eu mais precisava de alguém
Foi chegando devagar, fui  ficando sem saída
Quando percebi já amava você. Porquê?
Eu amo você, sempre amarei você.

Não sai da escola, se não colar na prova?rs

Música: Ditados
Composição: Mariana Sancar

Em casa de ferreiro, o espeto não é de nada
E nada na barriga, a goiaba tá bichada
Mente vazia, oficina do diabo
A que se faz, depois você paga

Ouve o que não quer, brigou com a mulher

Galinha que dorme demais,
fica sem água
Água mole em pedra dura,
tanto bate que afunda

No fundo você é, o que bota na colher


Melhor rir atrasado, do que não dar risada
Hoje é meu dia, amanhã talvez o seu
Quanto mais procura, mas fica irritado
Se for casar, compre uma casa

Pague a prestação, o que vale é a intenção.

Quem conta um conto,
sempre aumenta um pouco
Um pouco que acredita,
que caolho é rei

Melhor defesa do ladrão, é roubando o perdão.

Não sai da escola, se não colar na prova
Faça o que lhe digo e consente sem falar
Quando um não quer, o outro paga o pato
Antes só, que um velho chato do seu lado

Eu já fui assim, e olha bem pra mim

Quem semeia vento,
tenha medo de água fria
Se conselho fosse bom,
mas é claro que eu vendia


Pra bom entendedor, esse pingo já bastou.

Estranho se sentir assim...

Música: Erros
Composição: Mariana Sancar


É estranho se sentir assim
Como se o mundo desabasse em alguns instantes
Pior é saber que não existe um problema
A única culpada sou eu...

Agi sem pensar, ruindo sem razão
Parece um ciclo que nunca tem fim
Fiz tudo errado e não posso mais voltar
Por favor, não me julgue assim

Foi um engano o que aconteceu
Olhe pra mim você me prometeu
Eu sei que errei, não pude evitar

Espero que possa me perdoar
Não tive a intenção de te machucar
Só sei que esse amor não pode acabar assim...

Estranho se sentir assim...

Passo a passo: Como posso APOIAR a Mariana Sancar?!

Oiii...

Aqui vão as 8 ETAPAS, para as pessoas que estão me perguntando como funciona pra me apoiar na GRAVAÇÃO do meu primeiro CD autoral e/ou aqueles que ainda são meio perdidinhos na internet (como eu)!

Ideia principal: É uma VAQUINHA online pra gravar meu CD, mas uma relação onde você também GANHA! Vamos lá...

1-)  Assista esse vídeo que eu falo um pouco sobre o meu SONHO:



2-) Se gostou, clica nesse link: Faça parte da gravação do meu 1º CD Autoral

3-) Você vai ver essa página:


4-) Como pode ver, no lado direito você tem o valor das cotas, com suas respectivas recompensas. Escolha sua recompensa (ou recompensas), CLICA encima. Vai aparecer assim:



5-) Faça seu cadastro (caso ainda não tenha no benfeitoria), com e-mail, senha, aquelas coisinhas básicas pra saber que você é realmente um ser humano, REAL! kkkkk Obs. Pode fazer login pelo facebook também!

6-) Depois você CONFIRMA o valor, e se quer fazer uma contribuição pro site da benfeitoria (eles são os únicos que não cobram comissão dos projetos):




7-) E então ESCOLHA sua forma de pagamento (cartão de crédito, boleto, Paypal) :



8-) Uhuu... agora só aguardar no máximo 5 dias para aparecer você como BENFEITOR do projeto (caso queira, pois dá pra colocar anônimo)!!!

E claro, COMPARTILHAR muito, porque o projeto só vai pra frente se eu conseguir o dindin todinhoooo....  AGRADECIDA!


Maaaaas...


Se você não tem nem R$15,00, que faz 2 meses que não toma nem mesmo uma cerveja, primeiramente, bora se encontrar para sanar essa abstinência... rs

E faz assim,sem peso na consciência, me ajuda bastante na divulgação,#compartilha minha campanha em suas redes, para aqueles que você acha que vai gostar do meu som, enfim... se possível, TODOS OS DIAS!!!


Anexos:

 A) Uma de minhas composições:
Clipe Só um segundo - Composição Mariana Sancar
Gostou? Se quiser deixar seu comentário lá, fica à vontade...

B) Outras composições no meu site (só o áudio não-profissional):
Site Mariana Sancar - Cantora e Compositora

C) Letras das músicas do CD:

1. Vem, vem

2. Tic tac

3. Só um segundo

4. Minha irmã é um barato

5. Rumo dessa história

6. Erros

7. Ditados

8. Sem saída

Tome amor por favor!

Antes de tudo é importante ressaltar, morro lutando, mas não luto com quem usa o ódio pra vencer a causa que seja. Vivemos uma época importante, vejo muitos acordarem para as opressões que sofrem, na mesma medida que vejo outros tantos se vingando, buscando abrir caminho para a tal "liberdade" através de ações e atitudes opressoras. Não podemos esquecer que fomos educados por um sistema que ensina a castigar, a julgar, a jogar em fogueira, a excluir, crucificar, chicotear e matar quem vai contra o "certo". Precisamos, antes de colocar o ódio afrente, analisar, pensar, refletir, estudar e só depois de montar o quebra cabeça agir, lembrando que a palavra escrita ou falada é uma ação tão afiada e mortal quanto uma espada, um tiro de revolver e até mesmo a forca. Precisamos investigar minuciosamente nosso papel humano neste jogo, precisamos desconstruir o que nos separa, afinal de contas, todos nós dividimos a mesma cadeia de DNA, o mesmo carbono, a mesma matéria prima. 

Vivemos cercados de pessoas feito nós, com suas limitações, com suas capacidades, possibilidades e buscas. Aprendemos desde cedo a nos diferenciarmos e muitas vezes é mais fácil simplesmente seguir a natureza em nós, que é a do conflito, do vulcão em erupção, do embate entre atômos, dos maremotos, dos leões brigando pela caça, das bactérias em nosso organismo... Só que viemos com uma inteligência especial, capaz de raciocinar antes de agir por impulso ou instinto, uma inteligência que nos permite, através de um olhar analítico, ver por exemplo quem são nossos reais inimigos, quem de fato ameaça nossa existência propositalmente. O que mais vejo são irmãos brigando entre irmãos, pretos vendo outros pretos como inimigo, mulheres tendo outras como inimigas, pobre matando pobre, negros contra brancos, brancos contra o mundo, e o "mundo" esmagando a todos. Não tentem me convencer que é separando que chegamos a harmonia. Prefiro acreditar numa consciência universal, onde seres humanos se esforcem para entender que todos, opressores e oprimidos, somos vitimas nesta guerra de egos, por um poder que de nada vale. Homens poderosos, endinheirados, que para usufruir da vida tem que estar cercados por seguranças... Pessoas que tem medo de outros seres humanos por não terem a mesma "educação e pedigree", que vão passar a vida sentados em milhares de dólares com medo do diga que os excluídos vão bater a sua porta, sequestrar seus entes, roubar seus bens, ameaçar sua "Paz". 


Estamos cegos! Estamos cheios de raiva e rancor e precisamos nos olhar no espelho e ver isso em nós, porque isso nos causa doenças físicas, mentais e sociais. Como lutar por aqueles que sofrem se nosso sofrer contaminar a luta?


Precisamos aprender a colocar os pingos nos " i's ". Ouço tantos pedindo por "Mais amor por favor" e poucos " Tome amor por favor". Para que a mudança aconteça, para que a tal revolução aconteça precisamos nos esforçar, nos movimentar, e nos vermos como um. 


Nenhuma luta contra o mal esta acima da outra, até porque não há nada que possa medir a violência. Uma mulher que é encoxada no coletivo, uma pessoa preta que é humilhada pela policia, um transexual que é dado como demonio por um pastor, uma criança usando Crack pra vencer a fome, uma idosa deixada de lado a mendigar carinho, um terreiro de Candomblé destruido por fanáticos cristãos, um filhote de animal sendo triturado vivo para matar nossa "fome", índios sendo mortos e queimados para que o Brasil produza mais soja... 


Com o que de fato estamos preocupados? O que de fato nos preocupa? Vivo me perguntando isso... Buscamos por privilégios ou por igualdade, respeito, harmonia entre irmãos? 


Eu mesmo, por vezes deixei o ódio gritar em mim mais que tudo...


Mas minha raiva não me da o direito de oprimir e é pra isso que serve ser "racional".


Acredito e ninguém vai me tirar da cabeça que o mundo é um grande espaço de convívio e troca, seja de culturas, línguas, genes, idéias, afetividades e informações.

Precisamos sim combater a tudo que nos inferioriza em relação a outro ser humano, afinal quem somos nós pra nos acharmos tão superiores a ponto de nos acharmos a norma, a regra valida, o "correto"?
Há 126 anos atrás Princesa Isabel assinava uma lei que dizia ser de "liberdade"
Coisa que desde os primórdios da filosofia até hoje buscamos descobrir o que é... Feito o amor... Por isso acredito que amor é liberdade e o que margeia ambos, quando pensamos em paz é a busca.


Lutemos!

Do verbo: se amar e se libertar!

"Muita gente deve ter feito cara feia e pensado affff, olha essa gorda? Deve. Mas eu estava ocupada demais sendo feliz e lipsyncando for my life com minha drag favorita para ligar. 

A gente só se liberta de verdade quando perde o medo do escárnio dos outros. Não é fácil, mas quando a gente consegue é maravilhoso. (...)"

Ouve esse rap: 


Maravilhosooo meeeesmoooo!

Passividade

Ouvir e não ver. Sentir e não ver. Saber e não ver. Sofrer e não ver. Olhar e não ver. Propositalmente não ver.

Não ver o tronco onde permanece amarrado. Não ver a marginalidade onde habita noutras mentes. A inércia onde viaja parado. O redor onde é nada além de pouco. A impotência que defende aos prantos. A soberania do opressor que apoia pelo silêncio. Sua conduta perpetuará sua condição de submisso.

Apesar da facilidade em aprender-se a subserviência e da dificuldade em aprender-se o valor, a oportunidade só seria verdadeiramente aproveitada se o medo e o conformismo não reinassem seu ser. A prática não parece essencial como a teoria. Essencial é comportar-se. Essencial é manter a boa fama e a descrição. A sociabilidade. A normalidade. A passividade.

Afinal, quem quer ser anormal nesse mundo excludente? Ser normal é o preço justo para fazer parte dessa vergonha. Da maioria. E a passividade é seu trunfo e sua algema. Suas asas e sua cela. Sua cocaína.

Rap feito com a maninha:

Oscilante... tudo misturado...

Eu sei que por algum tempo vou me manter oscilante entre a razão e o desejo...
Algumas decisões são tomadas com o coração inquieto e o pensamento tomado por muitas coisas que aconteceram e acontecem, tudo misturado.


Sei também que o tempo vai ser meu amigo para essas coisas da vida. Com coragem eu sigo, nessa velocidade que não temo, nem mesmo de ousar ser feliz.

Dentro das infinitas bifurcações... VIVER!

Eu tenho um pouco fama de "Poliana"! Costumo ver o lado bom de tudo! 
Acho que sou mesmo assim! Até porque toda ação tem dois lados... duas verdades e com certeza as reações do Universo também! Gosto de pensar que, qualquer que seja a atitude tomada, o Universo vai se incumbir de reservar o melhor para nós. A estrada não é longa e precisamos nos recuperar o mais rápido possível para que estejamos prontos para viver as surpresas boas que esse novo caminho nos reserva. 


Cabe a nós tirarmos o melhor proveito das ações e reações, internas ou externas, das infinitas bifurcações... atalhos ou caminhos mais longos para a realização dos sonhos que acumulamos. Precisamos também aprender a agradecer e não desdenhar o que conquistamos. Porque senão nunca seremos capazes de saber em qual degrau estamos e continuaremos a querer mais... e subir... e subir... sem a certeza de que fomos capazes de construir novos degraus ou se a base de nossa construção é sólida o suficiente para a conclusão de tal obra faraônica. E dai a queda é grande. O prejuízo é maior. Hoje, raciocinando assim, parei para agradecer onde cheguei. Agradecer a todos que acreditaram em mim e a todos que não acreditaram. Obrigada!

Certo e Errado?!



"Os conceitos de certo e errado se baseiam em um conjunto de regras, derivadas de ensinamentos, valores culturais e conveniência política.Todos vêm do exterior, de nossas convicções culturais. A evolução vem de dentro. Ver as decisões sob a ótica da evolução estabelece o pressuposto básico de que, na essência, cada pessoa é basicamente divina."

Livro: Quem somos nós?

Meu corpinho, minhas regras!

"(...) E não existe maneira mais fácil de destruir a auto-estima de alguém do que revogando a posse do seu próprio corpo. Esse corpo que não te pertence, pertence a alguém – aos mais velhos, aos mais fortes, àqueles que são capazes de silenciar através da violência.

Por aqui fomos agraciados com a presença de uma menininha com uma grande personalidade. E essa menininha nos ensina dia a dia como gosta de ser tratada e acolhida. Nós, mãe, pai, babá e avós acreditamos que essa voz merece ser ouvida. Que a nossa relação com ela deve ser baseada no respeito mútuo. Então manifestações de carinho a afeto são aquelas que nascem espontaneamente de dentro do seu grande coração de bebê. Chamegos e afagos não faltam, mas apenas aqueles que nós desejamos que aconteçam, em qualquer hora, em qualquer lugar. Não é porque a visita está se despedindo que merece um beijinho, não é porque o tio quer um carinho na hora que chega. Lutamos dia a dia para ensinar a Liz que o nosso amor por ela não está vinculado à noção de obediência, ou de cumprir tarefas que foram ordenadas. A amamos exatamente por ela agir como age, por ela ser quem ela é.

NÃO É UMA TAREFA FÁCIL – de alguma maneira fomos ensinados desde pequenos que quando nos tornamos pessoas grandes temos algum tipo de poder que deve ser exercido sem controle sobre o corpo e sobre a individualidade de nossos filhos.
Alguns de nós apanharam, alguns de nós foram abusados por amigos e parentes que viviam no entorno familiar. (...)"

Texto na íntegra (vale a pena!): Meu corpinho, minhas regrinhas...

Das músicas que andam me perseguindo...

"Nem sei se ainda
Posso mesmo te fazer feliz...?
Cada momento que passamos, juro! Foi bom!
Mas tudo que acende, apaga
E o que era doce se acabou...

E quando eu penso em ir embora
Você não quer me dar razão
Me diz que eu tô jogando fora
O amor que tem no coração
Eu fico disfarçando
Finjo que não sei
Que em pouco tempo rola
Tudo outra vez..."

(...)

"Ando por aí querendo te encontrar
Em cada esquina, paro em cada olhar...

Deixo a tristeza e trago a esperança em seu lugar
Que o nosso amor pra sempre viva, minha dádiva...

Quero poder jurar que essa paixão jamais será
Palavras, apenas
Palavras pequenas
Palavras, momentos
Palavras palavras
Palavras ao vento
Palavras, apenas, apenas
Palavras pequenas

Palavras..."

Desidratada...



"É nossa criança interior que esquecemos de tirar do carro e levar para rir, brincar, cantar e dançar. Para que não desidrate e não tenha insolação com o tanto de problemas que pegam fogo dentro de nós."


Do texto: 
Eu esqueci meu filho no carro!



A Mentira Sexy...

"Já aconteceu com você de ter saído, estar aproveitando e, de repente, ter a sensação de que seu cabelo não está do jeito que queria, ou que sua maquiagem borrou, ou que talvez você precise arrumar a sua camisa, ou que talvez alguém pense que seu short está curto demais?"

Essas são apenas alguns exemplos de como monitoramos nosso corpo enquanto mulheres, conhecido como “habitual body monitoring” (monitoramento corporal habitual). Caroline Heldman falou sobre o conceito de body monitoring na sua palestra no TED “The Sexy Lie” (a mentira sexy). É a ideia de constantemente checarmos o nosso corpo, com a qual eu honestamente me identifico...

Caroline diz: "Então a auto-objetificação. Com dez anos de pesquisa, a maioria feita por psicólogos, sabemos que tem efeitos bastante severos. Quanto mais pensamos em nós mesmas internalizando essa ideia de sermos objetos sexuais, maiores os nossos níveis de depressão." (...)

"Nós pensamos sobre a posição das nossas pernas, a posição de nosso cabelo, onde está a iluminação, quem está nos olhando, quem não está nos olhando."

E não somos apenas nós duas que fazemos isso, mas a maioria das mulheres monitora seu corpo a cada trinta segundos. Isso é muito monitoramento corporal durante o dia, que dirá durante a vida. Você consegue imaginar quanto espaço [mental] livre teríamos se não estivéssemos constantemente preocupadas sobre como nosso cabelo está, ou nossa calça, ou nosso sapato? Ou ainda o ângulo das nossas costas?

Mas esse monitoramento corporal diz respeito a uma questão mais profunda. Ele revela a ideia de que as mulheres se percebem de fora; nós internalizamos a visão masculina e depois a usamos para nos monitorar a cada trinta segundos. John Berger resume em Ways of Seeing (Pontos de Vista): “Homens olham para as mulheres. As mulheres se assistem sendo observadas. Isso não determina apenas a relação entre homens e mulheres, mas a relação das mulheres com elas mesmas.”

Quando você está constantemente monitorando como você está pelos olhos dos outros, você está escolhendo perceber seu corpo em vez de realmente ocupar o seu corpo. Isso é problemático porque define a relação da mulher com si própria baseado na percepção do que ela é, ao invés da real experiência de ser ela mesma. Se não gastássemos tanto tempo pensando criticamente sobre nosso corpo, teríamos mais tempo para experienciar quão fantástico é estar neles.

A experiência de despersonalização e auto-objetificação (enxergar-se pelos olhos de um observador), não é preciso dizer, tem efeitos negativos. Tem sido comprovado que ela reduz a função cognitiva (até disfunções sexuais), por conta de toda a energia focada na percepção corporal. Reduz a auto-estima, e sobretudo a auto-confiança.

Se essa vivência parece verdadeira para você, saiba que é um fenômeno social e não individual. Nossa sociedade é cheia de mensagens que objetificam as mulheres e o resultado é que as mulheres acabam objetificando a si próprias (exageradamente), nessa tentativa de tornar esse objeto perfeito que tanto é focado na mídia...

 (Vídeo sobre desse objeto "perfeito" : Mujer Perfecta )

"Para os homens está sendo vendido constantemente a ideia de que eles são nosso sujeito sexual, que eles estão no comando, faz eles se sentirem poderosos ao ver (...) essa ideia de sujeito-objeto que está sendo vendida" e objeto são surbordinados a outrem!

Palestra na íntegra:

Prefiro continuar distante...


Bem mais que o tempo
Que nós perdemos
Ficou prá trás
Também o que nos juntou...

Desfaz o vento
O que há por dentro
Desse lugar
Que ninguém mais pisou...

Em paz, eu digo que eu sou
O antigo do que vai adiante
Sem mais, eu fico onde estou

Prefiro continuar distante...

Budismo e Cristianismo

Um estudo comparativo de dois caminhos de espiritualidade Por Luiz Vieira Marques

Luiz Vieira Marques - Filósofo formado pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais com licenciatura plena; sociólogo formado pela Universidade Federal de Minas Gerais com especialização em Sociologia Urbana: PUC-MG/ Unileste–MG.
O propósito deste estudo é ampliar o conhecimento dos leitores sobre as semelhanças e dessemelhanças entre estes dois caminhos de espiritualidade: budismo e cristianismo, possibilitando alargar as possibilidades de diálogo e entendimento.
Pretende-se também, sem maiores pretensões, contribuir para o grande debate sobre o que é bom para o homem, não só de forma pragmática ou positivista, mas fundamentalmente; não só de maneira filosófica ou abstrata, mas existencial e concreta; não só de forma psicopedagógica, mas num sentido incondicionalmente obrigatório e universal.
Neste sentido, a religião não deve ser analisada a partir do critério de verdade que afasta, que separa, que divide. A religião, no contexto atual, deve ser pensada a partir do critério ético geral do humano. Daí não podermos prescindir dos resultados da Psicologia, da Pedagogia, da Filosofia, da Sociologia e da Ciência Jurídica.


As diferenças são profundas


Do ponto de vista religioso, budismo e cristianismo são, inegavelmente, duas tradições mundiais, completamente diferentes. É impossível alguém ser cristão e, ao mesmo tempo, budista, ou vice-versa. Seria misturar fogo com água. São caminhos de espiritualidade radicalmente diferentes, principalmente quando se tem em mente os paradigmas vigentes do cristianismo.
Na sua essência, o cristianismo, juntamente com o judaísmo e o islamismo, são classificados como religiões reveladas: em que Deus fala aos homens. Uma religião revelada é caracterizada pela livre comunicação salvadora que Deus faz de si mesmo ao homem pecador, em Cristo, pela comunicação pessoal e, ao mesmo tempo, comunitária (Igreja).
Já o budismo situa-se no grupo das religiões classificadas como salvíficas. São aquelas religiões portadoras dos meios de que o homem precisa para salvar-se dos sofrimentos presentes e conseguir a felicidade. Neste grupo encontram-se, além do budismo, o confucionismo, o taoísmo, o hinduísmo. Estas religiões, como o fizeram Zaratustra, alguns filósofos gregos e profetas judeus, que, espiritualizando e aprofundando o pensamento, abriram caminho a uma religiosidade, ao mesmo tempo pessoal e universal.


Seguindo a trilha da pesquisa junguiana


O cristianismo, fiel à tradição do pensamento religioso ocidental, considera o homem inteiramente dependente da graça de Deus ou da Igreja, na sua qualidade de instrumento terreno exclusivo da obra da redenção sancionado por Deus.
O homem é infinitamente pequeno, um quase nada, enquanto a graça de Deus é tudo. E esta graça vem de fora. Provém de uma outra fonte: Deus.
“O homem está sempre em falta diante de Deus”, como dizia Kierkegaard.
No cristianismo, o homem procura conciliar os favores de Deus mediante o temor, a penitência, as promessas, a submissão, a auto-humilhação, as boas obras e os louvores.
Deus é um totaliter alter, o totalmente outro, absolutamente perfeito e exterior, a única realidade existente.
“Se modificarmos um pouco a fórmula e em lugar de Deus colocarmos outra grandeza, como, por exemplo, o mundo, o dinheiro, teremos o quadro completo do homem ocidental zeloso, temente a Deus, piedoso, humilde, empreendedor, cobiçoso, ávido de acumular apaixonada e rapidamente toda a espécie de bens deste mundo tais como riqueza, saúde, conhecimentos, domínio técnico, prosperidade pública, bem-estar, poder político, conquistas etc. Quais são os grandes movimentos propulsores de nossa época? Justamente as tentativas de nos apoderarmos do dinheiro ou dos bens dos outros e de defendermos o que é nosso. A inteligência se ocupa principalmente em inventar ’ismos’ adequados para ocultar seus verdadeiros motivos ou para conquistar o maior número possível de presas.”1
O budismo, seguindo a tradição oriental, sublinha o fato de que o homem é a única causa eficiente de sua própria evolução superior. Ao contrário do cristianismo, acredita na “auto-redenção”, ou seja, o homem é Buda e se salva por si próprio.
O budismo se baseia na realidade psíquica enquanto condição única e fundamental da existência. A psique é o elemento mais importante, é o sopro que tudo penetra, ou seja, a natureza de Buda; é o espírito de Buda, o Uno, o Dharma-kaya. Toda vida jorra da psique e todas as suas diferentes formas de manifestação se reduzem a ela. É a condição psicológica prévia e fundamental que impregna o homem em todas as fases de seu ser, determinando todos os seus pensamentos, ações e sentimentos.2


Apesar das diferenças, é imperativo o diálogo inter–religioso


Não obstante a radicalidade das diferenças, budismo e cristianismo são dois grandes caminhos de salvação que levam ao mesmo fim: a felicidade eterna. São dois caminhos que, muitas vezes, cruzam-se e sempre podem se enriquecer mutuamente.
Todos sabem que a relação de fraternidade é o primeiro e mais profundo dos laços existentes entre homens e mulheres, e que por isso a concórdia entre as religiões é condição prévia para a paz entre as nações. E não há concórdia entre as religiões se cada membro de uma religião trilha o seu próprio caminho de forma obstinadamente dogmática, fundamentalista, afirmando que a sua religião é a única verdadeira, que a fé que professa é superior às outras.
Budismo e cristianismo, ainda, nas suas diferenças e, consideradas em sua multidimensionalidade e universalidade, carregam imensurável riqueza histórica, filosófica e cultural. São parte e parcela da grande empresa coletiva de construção da sociedade humana. Ambas têm tentado levar os povos, cada uma com seus próprios métodos, a encontrar a distinção fundamentada entre verdadeiro e falso, amor, compaixão e ódio, solidariedade e egoísmo, tolerância e intolerância, moral e imoral, em todos os campos do pensar e do agir humanos.
No limiar do terceiro milênio, quem pratica uma religião com esta mentalidade, impregnada deste tipo de sentimento de intolerância, são pessoas desinformadas em relação a outros caminhos e sem compreensão, benevolência e amor para com os outros. A capacidade de diálogo é possibilidade de paz.


O primeiro colóquio inter–religioso


Abrindo perspectivas para o diálogo entre as grandes tradições religiosas, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) deu um importante passo, entre 8 e 10 de fevereiro de 1989, quando realizou o que chamou de colóquio inter–religioso entre hinduísmo, confucionismo, budismo, judaísmo, cristianismo, islamismo e religiões da África. O critério fundamental adotado foi o humanum — a dignidade humana, os verdadeiros valores humanos como critério universal, a interação dialética entre religião e humanidade, a possibilidade do consenso inter–religioso.
Foram as seguintes as conclusões daquele significativo diálogo:
a) A verdadeira humanidade é uma condição prévia da verdadeira religião. Ou seja, o humanum (o respeito pela dignidade humana e pelos seus valores fundamentais) é um requisito mínimo relativamente a qualquer religião; no mínimo, deve existir humanidade (é um critério mínimo), quando se pretende pôr em prática a verdadeira religião.
b) A religião verdadeira é a perfeição da verdadeira humanidade. Ou seja: a religião (enquanto expressão de um sentido transcendente, de valores elevados, de uma vinculação incondicional) constitui a condição prévia ideal para a realização do humanum: a religião (trata-se de um critério máximo) tem justamente de estar presente, sempre que se pretender pôr em prática os valores humanos como verdadeira forma de vinculação universal absoluta.3


Religião e paradigma


“Todo esforço é produtivo, quando metódico e
continuado!”, canta o excelente Renato Russo.
A presente exposição seguirá a perspectiva ontogenético-descritiva, com uma abordagem tópico-temática, visando-se realizar uma rápida análise da atual situação religiosa do budismo e do cristianismo, aplicando-se, como o fez, eficazmente, o filósofo e teólogo Hans Küng, no domínio da História das Religiões, a teoria dos paradigmas desenvolvida por Thomas S. Kuhn, no campo das Ciências Naturais.
Na definição de Thomas Kuhn, paradigma é uma “constelação de convicções, valores e técnicas. Uma constelação universal, una, consciente-inconsciente”.
Os paradigmas determinam a economia, o direito, a política, a ciência, a arte, a cultura, toda a sociedade.
No caso da religião, por exemplo, o budismo primitivo da Índia, o cristianismo medieval, o Budismo Mahayana e suas diversas escolas são paradigmas.
Para tornar clara a distinção entre paradigma e religião, eis alguns exemplos: uma pessoa, por exemplo, é adepta do BudismoTibetano e converte-se ao Budismo de Nitiren Daishonin. Neste caso, essa pessoa mudou de paradigma, não de religião. Outra, era católica e converteu-se à Igreja Evangélica Luterana, também não mudou de religião, apenas de paradigma. Outra, ainda, era membro da Igreja Presbiteriana e converteu-se ao Budismo de Nitiren Daishonin. Neste caso, mudou de religião.


Conforme divulgado, este espaço dedica-se ao esclarecimento de dúvidas a respeito da matéria “Budismo e Cristianismo — Semelhanças e Diferenças”, publicada no Especial da edição de junho, elaborada pelo Dr. Luiz Vieira Marques, membro do Núcleo de Estudos de Religiões do Departamento de Cientistas da BSGI.
Questão: Na página 7 consta a seguinte frase: “Não obstante a radicalidade das diferenças, budismo e cristianismo são dois grandes caminhos de salvação que levam ao mesmo fim: a felicidade eterna.” Isto quer dizer que mediante outras práticas também é possível atingir a iluminação?
Edegar Ozório da Silva, Santa Maria, RS.

Em primeiro lugar, gostaria de esclarecer o que é felicidade eterna para cada uma dessas religiões.
a) No cristianismo
O místico, jesuíta e paleontólogo Pierre Teilhard de Chardin, uma das maiores expressões da atualidade Teológica, em palestra proferida na China dizia: “Não pretendo fazer Metafísica nem Apologética. Mas voltarei, com os que quiserem me seguir, a Ágora. E aí, todos juntos, ouviremos São Paulo dizer à gente do Areópago: “Deus, que fez o Homem para que este o encontre, Deus a quem tentamos apreender pelo tatear de nossas vidas, esse Deus é tão difundido e tangível quanto uma atmosfera em que nos banhássemos. Ele nos envolve por todos os lados, como o próprio Mundo. O que vos falta, pois, para que possais estreitá-lo? Uma única coisa: vê-lo.”1
“A alegria do elemento que se tornou consciente do Todo ao qual serve e no qual se consuma — a alegria obtida pelo átomo reflexivo no sentimento de seu papel e de sua completação no seio do Universo que o carrega: tal é, de direito e de fato, a mais alta e a mais progressiva forma de felicidade que me seria possível propor e desejar aos senhores.”2
A verdadeira felicidade, como acabamos de precisar, é uma felicidade de crescimento, e, enquanto tal, espera por nós numa direção exata:
1. Pela unificação de nós mesmos no âmago de nós mesmos;
2. Pela união de nosso ser com outros seres, nossos semelhantes;
3. Pela subordinação de nossa vida a uma vida maior que a nossa.
Portanto, três fases, três passos, três movimentos sucessivos e conjugados são identificáveis no exame do processo de nossa unificação interior, isto é, no processo de nossa personalização. Para ser plenamente ele próprio e vivo, o Homem deve: centrar-se em si; descentrar-se sobre “o outro”; supercentrar-se num ser maior que ele mesmo. São os três tempos da personalização.
São as três formas de beatificação. São as três regras fundamentais da felicidade.3
b) No Budismo de Nitiren Daishonin
Felicidade eterna ou absoluta seria uma condição de vida inabalável atingida mediante a compreensão de que a Lei, ou a essência de todos os fenômenos, e a nossa vida são unas e inseparáveis.
É por essa razão que Nitiren Daishonin afirma: “Não há felicidade maior para os seres humanos do que recitar o Nam-myoho-rengue-kyo.”4
Mas recitar o Nam-myoho-rengue-kyo não é um ato de piedade, uma espécie de prática devocional, a simples recitação de uma prece. É fazer brotar das profundezas da vida a energia para manifestar o mais elevado estado de vida, o de Buda, e “conduzir as pessoas ao caminho supremo e fazer com que adquiram, rapidamente, o corpo de um Buda”.5 Ou seja, a felicidade atingida com a recitação do Daimoku não se restringe a si, mas abrange todos os outros.
“Ter fé”, orienta o presidente Ikeda, “significa viver de forma fiel a nós mesmos, como somos, e atingir um estado em que podemos dizer francamente: ‘Ah!, esta é a verdadeira satisfação’, ‘Minha vida é uma grande vitória’. Esta é a ‘paz e felicidade’. Todos, sem exceção, procuram a paz e a felicidade. Uma pessoa pode perseguir os ‘tesouros do cofre’, enquanto outras, os ‘tesouros do corpo’, como posição ou riqueza. Mas a verdadeira felicidade está em acumular os ‘tesouros do coração’. E a essência dos tesouros do coração é um grande estado de vida totalmente dedicado à fé. No entanto, essa não é uma felicidade que pode ser obtida por meio da satisfação dos anseios ou dos desejos. É uma questão de experimentar a ilimitada alegria da Lei – de receber livremente e desfrutar a felicidade derivada da Lei que surge em nossa vida. Cada um de nós pode definitivamente atingir esse estado de paz e felicidade. E como essa paz e felicidade derivam de nossa vida, são duradouras.”6
Ele diz ainda: “O Nam-myoho-rengue-kyo é a Lei, mas ao mesmo tempo é também a vida do Buda. A pessoa e a Lei são unas. E a unicidade de Pessoa e Lei é o ponto mais importante. Embora possamos falar da Lei como se ela fosse uma entidade independente, se realmente fôssemos separá-la da Pessoa (o Buda) se tornaria nada mais do que uma construção teórica. O que o Buda concretiza é a Lei. Na verdade, a Lei jamais existiria separada da sabedoria do Buda. O Buda e a Lei jamais podem ser separados.
“O Buda do tempo sem início, ou kuon ganjo, o Buda que existe eternamente sem início ou fim é a própria vida do Universo. É o constante e incessante trabalho de conduzir todas as pessoas à iluminação, sem um instante de pausa. De fato, esse Buda eterno e nós próprios somos um só. Isso significa que nós próprios viemos trabalhando para conduzir as pessoas à felicidade empenhando-nos pelo Kossen-rufu desde o remoto passado, e não somente nesta existência. Essa conscientização é o âmago do capítulo ‘Revelação da Vida Eterna do Buda’.
“Quando nosso ponto de vista expande-se do presente para a totalidade de todo o eterno Universo, despertamos para a nossa profunda missão de vida.”7
Essas palavras do presidente Ikeda traduzem o significado de atingir o estado de Buda ou a iluminação. Elas nos mostram que para atingi-lo precisamos, além da perfeita conscientização de nossa unicidade com a Lei, cumprir a missão do bodhisattva ou agir pela felicidade dos demais.
No Budismo de Nitiren Daishonin, não praticamos a fé para somente nós atingirmos o estado de Buda. Surgimos como Bodhisattvas da Terra para ensinar a todas as pessoas a recitarem o Nam-myoho-rengue-kyo a fim de que façam a revolução humana, consigam a transformação interior, engajando-se também na luta pelo Kossen-rufu. É assim que podemos manifestar a natureza búdica: lutando para que outras pessoas “adquiram o corpo de um buda”.8
Os Bodhisattvas da Terra são eternos ativistas que têm como base a Lei Mística. Sua vida é um eterno avanço. Quando manifestamos a energia inerente desses bodhisattvas, causamos o “emergir dos Bodhisattvas da Terra de dentro de nosso próprio ser. Agindo dessa maneira, podemos destruir a barreira do ser insignificante que tem limitado nossa vida”.9
Respondendo a questão: não é possível com práticas religiosas não budistas atingir o estado de Buda, por não haver a prática do Bodhisattva e a recitação do Nammyoho-rengue-kyo.
Religiões como o judaísmo, o cristianismo e o islamismo conseguem conduzir as pessoas à felicidade eterna, de acordo com a visão que têm de felicidade eterna: o encontro “face a face”, definitivo com Deus, na concepção de São Paulo, a fusão com o Todo, a incorporação de todos os seres no Cristo Cósmico, como queria Teilhard, São João da Cruz, Santa Tereza d’Ávila. Nunca o estado de Buda. Sem abraçar os conceitos da vacuidade, da continuidade da vida em infinitas existências, da unicidade dos seres e a essência do Universo não é possível a outras tradições religiosas levar os seres humanos a atingir o estado de Buda.
NOTAS 1. CHARDIN, Pierre Teilhard de. Le Milieu Divin: Essai de Vie Intérieure (O Meio Divino: Ensaio de Vida Interior). Paris, Éditions du Seuil, 1957, pág.17. 2. Cf. CHARDIN, Pierre Teilhard. Mundo, Homem e Deus; textos selecionados e comentados por José Luiz Archanjo, 2ª ed., São Paulo, Editora Cultrix Ltda., MCMLXXX, págs. 74-81. 3. Ibidem. 4. The Writings of Nichiren Daishonin (Os Escritos de Nitiren Daishonin), pág. 681. 5. The Lotus Sutra (O Sutra de Lótus), cap. 16, pág. 232. 6. Brasil Seikyo, edição nº 1.447, 7 de fevereiro de 1998, pág. 3. 7. Ibidem, edição nº 1.491, 16 de janeiro de 1999, pág. 3. 8. The Lotus Sutra, cap. 16, pág. 232. 9. Brasil Seikyo, edição nº 1.141, 7 de março de 1998, pág. 4.

a) A busca da espiritualidade no budismo, como nas demais tradições religiosas orientais, consiste na construção de um caminho que leve a uma experiência de totalidade. É fazer uma experiência de não-dualidade. “Isso equivale a dizer: sentir-se pedra, planta, animal, estrela, numa palavra, sentir-se Universo. No Budismo de Nitiren Daishonin, busca-se descobrir o Myoho-rengue-kyo que se encontra em todas as coisas fazendo-se com que todas as pessoas compreendam e experimentem esta verdade. Cada ser possui dentro de si a Lei Mística (o segundo presidente da Soka Gakkai, Jossei Toda, preferia usar a expressão “vida” em lugar de “Lei”), o Myoho-rengue-kyo. Unindo-se a esta que é a essência última de todos os fenômenos, unimo-nos também e mergulhamos na harmonia profunda do todo.
“Não existe felicidade maior para um ser humano do que recitar o Nam-myoho-rengue-kyo”, garante-nos Nitiren Daishonin.
É fantástico viver o Budismo do Sutra de Lótus. Viver a experiência cotidiana do encontro com o Gohonzon, na interioridade de nós mesmos, com intensidade, na dimensão e na profundidade que o presidente Ikeda nos ensina, imbuído da consciência de que “o que importa é o coração”. Viver, não apenas “praticá-lo, racionalmente, como “religião”, como organização, no paradigma tradicional de “credo, código e culto”.
A vivência da fé, desta forma, alimentada pelo insondável mai-ji-sa-ze-nen (“medito constantemente”), ou o desejo do Buda, cria e desenvolve um centro interior com tal força e vigor que sateliza toda a realidade ao redor, refazendo a percepção da totalidade. “E nós nos movemos nessa totalidade como em nossa casa, com profunda serenidade, sem nenhum medo, porque nada pode ameaçar-nos, tudo está envolto ao redor desse centro poderoso” conseguido pelo Daimoku. Basta que seja um Daimoku de coração, harmoniosamente cantado sob o impulso da fé genuína; impregnado do espírito da gratidão que caracteriza a relação de mestre e discípulo, grávido do juramento do Buda: o “grande desejo de ampla propagação”, alicerçado no compromisso, sem restrições, de viver cada momento do dia ou da noite como um bodhisattva/Buda, trilhando um caminho ético extremamente coerente”.10
É impossível ser infeliz, avançando por este caminho de transformação.
Ao recitar o Daimoku do Sutra de Lótus, portanto, estamos buscando a comunhão com o todo (o Universo cósmico), nele incluindo o Myoho-rengue-kyo. 
b) O caminho do cristianismo e das outras religiões ocidentais, na perspectiva contemporânea, no paradigma atual, é o caminho da exterioridade. É a conquista do espaço exterior. Busca-se a comunhão com Deus, nele incluindo o todo.
c) Pensando no cristianismo em termos de antigos paradigmas, vê-se nesta religião mundial a forma de “religião” baseada na idéia de resposta obediente do homem a uma revelação divina. Uma religião de credo: a revelação da existência de Deus, por sua existência, por sua vontade e no seu projeto de universo, de código: a lei, o modelo, divinamente revelada que o homem deve seguir; o culto que é o método de adoração divinamente revelado pelo qual o homem se relaciona com Deus por meio de orações, rituais e sacramentos.11
Hoje, no entanto, o cristianismo é repensado. Retoma-se a experiência judaico-cristã centrada no encontro, do diálogo Deus–Homem, uma relação pessoal e dialogal; um encontro eu–tu, encontro entre desiguais, que pela abertura, a amizade e o amor estabelecem comunhão e inauguram uma aliança. Longe daquela perspectiva vertical: Deus no Céu mandando e o homem na terra obedecendo. O paradigma cristão contemporâneo retoma a experiência mais radical dos grandes profetas, de Moisés e de Pedro. Uma experiência fundamentalmente amorosa, em que o cristão se sente envolvido pela realidade divina. Dá-se aí um encontro na totalidade que move a interioridade. Retoma-se a experiência dos grandes místicos cristãos: João da Cruz, Teresa d’Ávila, Francisco de Assis, em sua mística cósmica, e mestre Eckart. Experiência de enamoramento, de amorosidade, de encontro, não de obediência e de temor.
Deus, neste paradigma, não é o Senhor, Todo Poderoso, Rei, Monarca, ontologicamente diferente do homem, no caso, súdito, mas um Deus presente em todas as coisas, e vice-versa. Um Deus que está na profundidade do coração do homem e, por isso, não existe distância entre um e outro. “Nele nos movemos. Nele nós somos, como recordava São Paulo a seus interlocutores na praça pública de Atenas. Estamos Nele como dentro do ar que respiramos. E Ele está em nós como nossos pulmões vivificados de ar.”12
Para o grande místico cristão do século XX, Teilhard de Chardin, em sua obra Le Milieu Divin (O Meio Divino), nós estamos dentro de Deus. Nunca saímos de Deus, nem vamos a Deus. A tarefa da fé é descobrir esse Deus que está presente em todas as coisas, mas oculto sob mil sinais. O Universo é um grande sacramento. A matéria é sagrada. A natureza é espiritual. Por quê? Pergunta ele. Porque a natureza é templo de Deus. Deus está em tudo e tudo está em Deus, tudo se reflete dentro de Deus. O Universo não é indiferente a Deus, pois está no Seu coração e pertence ao reino da Trindade.13 
Se estudarmos os capítulos 11º (“Surgimento da Torre de Tesouro”), 15º (“Emergindo da Terra”) e 16º (“Revelação da Vida Eterna do Buda”) do Sutra de Lótus, ancorados nos escritos de Daishonin e na interpretação do presidente Ikeda, vamos encontrar muito mais semelhanças, muito mais pontos de convergência do que dessemelhanças, pontos de divergência entre o budismo e o cristianismo. Não são caminhos antagônicos. São experiências complementares de espiritualidade.
É claro que este diálogo, estas semelhanças e convergências só são detectáveis se tomarmos como referência não o budismo primitivo, da “lei de causa e efeito”, entendida como retribuição (“bateu, levou”) e que o presidente Ikeda chama de causalidade “convencional”; ou o cristianismo fundamentalista dos círculos fechados.
É muito difícil enxergar semelhanças, virtudes e convergências no outro onde existe e não se deseja abandonar o sectarismo, a arrogância, o fanatismo, o convencimento de que se é dono da verdade.
Somente a compaixão é capaz de mudar os rumos deste mundo onde milhões e milhões de pessoas são vitimadas pela cruel competição do mercado globalizado, onde a pobreza e exclusão social, em nível mundial, e a sistemática agressão ao sistema da Terra, juntos, põem em risco o futuro do nosso planeta. 
Compaixão (karuna) é princípio gerador de um sentido global de vida. É, historicamente, reconhecida como a maior contribuição que o budismo ofereceu à humanidade. Neste sentido, significa desapego total do mundo e, simultaneamente, o cuidado essencial com o mundo.
No judeu-cristianismo, compaixão é “rahamim”, uma forma de misericórdia. Em hebraico significa “ter entranhas” e por elas sentir a realidade do outro, particularmente daquele que sofre. É co-sentir mais do que o entender, é mostrar a capacidade de identificação e de compaixão com o outro. A misericórdia é considerada a característica básica da experiência espiritual de Jesus. 
No Budismo do Sutra de Lótus, a compaixão, tão bem traduzida e sintetizada na frase “mai-ji-sa-ze-nen”, concretiza-se no “grande desejo do Buda Original Nitiren Daishonin. Refere-se “ao ilimitado desejo que surge da iluminação do Buda, o “desejo original da vida” de propagar os ensinos que levam as pessoas à felicidade. 
Ser compassivo e benevolente é viver, na perspectiva do juramento de Nitiren Daishonin, construindo, passo a passo, o Kossen-rufu na interioridade de si mesmo, buscando a transformação pessoal, conduzindo uma vida alegre, confiante, dominando emoções destrutivas como a raiva, o ódio, rancores, invejas, ciúmes, intrigas, na convivialidade do lar, da vizinhança, do trabalho, da escola, da comunidade religiosa, enfim em qualquer nível de relacionamento humano e com todos os seres vivos.